quarta-feira, janeiro 03, 2007

Filhos de guitarristas

Filhos de guitarristas

No mundo do Fado, encontra-se com alguma frequência filhos (e/ou netos) a acompanhar os seus pais às guitarras.
Podemos pensar em alguns guitarristas como: António Pacheco, José Fontes Rocha, Miguel Ramos, António Parreira, Francisco Carvalhinho, e os seus respectivos filhos (e netos) Mário Pacheco, Ricardo Rocha (neto), Luís Ramos (outra vertente), Paulo Parreira e Ricardo Parreira (ambos filhos de António Parreira), José António Carvalhinho.

António Pacheco acompanhou, em grande parte, a cantadeira Hermínia Silva (utilizo a palavra cantadeira, porque Hermínia Silva não só cantou fado como canções e Teatro de Revista, e não a considero por si só fadista) onde ensaiavam na avenida Duque de Loulé... "Anda Pacheco" como ela dizia ao seu guitarrista.
Esta informação vem da minha mãe quando na altura (ainda jovem) trabalhava para um engenheiro (não me recordo o nome) na sua casa nesta mesma avenida. A minha mãe recorda-se perfeitamente de cruzar a cantadeira e seus músicos e de ouví-los a tocar e a Hermínia Silva cantar. Pois a Hermína era vizinha desse engenheiro. A minha mãe lembra-se que a cantadeira era bastante exigente e ralhava com os músicos até obter a interpretação ideal.
Mário Pacheco - o filho de António Pacheco - acompanhou o seu pai à viola. Estudou música e guitarra clássica (viola) na *Academia de Amadores de Música. Profissionalmente foi violista de fado entre 1969 até meados da década de 1980 altura em que decide dedicar-se à guitarra portuguesa, entre outras razões, para responder às suas necessidades de compositor. Toca numa guitarra de Coimbra com cordas de aço mais espessas de que se utiliza de costume.
Acompanha grandes vozes do fado da actualidade e também alguns mais "antigos"e é autor de música de vários fados dos quais mais conhecidos: Cavaleiro Monge (cantado por Mariza), Diz se me conheces (cantado por Paulo Bragança), Porque voltas de que lei (cantado por Ana Sofia Varela). É proprietário desde 1995 de um restaurante de fado, o conhecido Clube de Fado (Alfama, Lisboa) onde costuma tocar.
Ver: http://www.clube-de-fado.com/

José Fontes Rocha: a primeira vez que o ouvi foi num disco de 33 rt, um concerto com Amália Rodrigues no Japão e com Carlos Gonçalves e Joel Pina. Ouvi este disco em França em 1999 (quando ainda vivia na Normandia). Foi uma altura em que eu estava farta de ouvir a música que costumava ouvir e então procurei algo de diferente nos discos antigos que os meus pais ainda têm. Não conhecia nem o Fado nem Amália. Sabia do nome dela mas não como cantava. Foi uma descoberta.... da cantora mas sobretudo da guitarra portuguesa. Achei o instrumento para mim uma inovação e desde então despertei a minha curiosidade para com a guitarra portuguesa. Entretanto comprei uma guitarra.... amadora e iniciei uma breve aprendizagem no Museu do Fado em 2001.
Ricardo Rocha é neto de José Fontes Rocha. Conheci-o numa entrevista que fiz em 2006 para o Instituto de Etnomusicologia (Universidade Nova de Lisboa) para uma enciclopédia. Apredeu a tocar guitarra portuguesa com o seu avô é claro, mas também com Carlos Gonçalves e Manuel Martins. Não sabia dele tão inovador, sem hesitar a misturar erudito e fado, a inserir o erudito no fado. A sua colaboração com Maria Ana Bobone bem como João Paulo Esteves da Silva é excelente. O seu CD em solista Voluptuária (2003) descreve perfeitamente a arte deste jovem guitarrista.

Miguel Ramos (1904-1982): convido-vos a ler o post respectivo.
O seu Filho Luís Ramos, que tem agora a loja de instrumentos musicais na Parede - ver o respectivo post-, é músico, toca guitarra clássica (viola), mas ao contrário de que acontece com a maior parte dos filhos de guitarristas, ele não seguiu o caminho do fado. Prefiriu o rock! Não entanto, sabe descrever como tocava o seu pai e também tem conhecimentos dos fados. Na realidade não sei muito da sua profissão, porque quando fui ter à sua loja para falar com ele foi para conhecer melhor a carreira do seu pai! O que sei é que Luís Ramos domina bem os intrumentos de cordas, com particular destaque para a guitarra eléctrica.

Conheci António Parreira no Museu do Fado em 2001 (na altura o museu chamava-se Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa). Foi em 2001 que comecei a aprender a tocar guitarra portuguesa no Museu do Fado (entretanto deixei). Iniciei a aprendizagem com José Luís Nobre Costa, mas saiu do Museu passado uns meses, e continuei a parendizagem com António Parreira. Foi desta forma que o conheci. Apesar de não ser virtuoso, tem um excelente método de ensino. Pelo facto de ter sido violista (primeiro) acompanhando António Chainho até 1965 e de ter tido uma formação em música, tem ferramentas suficientes para explicar no melhor os fados à guitarra portuguesa. Alem disso, adapta o ensino às capacidades dos alunos.
Também conheci Paulo Parreira no Museu do Fado, tendo algumas aulas com ele. Iniciou a sua aprendizagem da música não pela guitarra portuguesa mas pelo piano e teoria musical na Liga dos Amigos de Queluz e também no Conservatório Nacional. É só por volta dos seus 18 anos que decide dedicar-se à guitarra portuguessa, talvez por influência de seu pai. Em 1999 Paulo Parreira fundou o conjunto Trinadus constituído inicialmente por: guitarra portuguesa (Paulo Parreira), viola de fado (João Veiga), violino (Maria Castro-Balbi) e violoncelo (Anne Hermant), tendo um repertório de fado e das guitarradas ao estilo de Lisboa e de Coimbra. Este conjunto gravou um novo (maio 2006) trabalho discográfico com Zé Renato.
Ver: http://artemusical.festim.net/archives/2006_05.html
http://www.consciencia.net/2005/mes/03/brunoribeiro-zerenato.html
Ricardo Parreira. Filho mais novo de António Parreira. Não o conheço pessoalmente, só o cruzei de vez em quando. Só sei dele que será um grande virtuoso. Mais informações no endereço do site que segue:
Ver: http://www.hmmusica.com/artistas.htm#ricparrf

Francisco Carvalhinho. Adoro ouvir os seus acompanhamentos, sobretudo quando acompanhava Alfredo Marceneiro e Carlos Ramos. Tendo uma performance ao mesmo tempo quase silenciosa (ver CD The Fabulous Marceneiro EMI-VC 1961-1997), desenvolvia contracantos e complementos aos versos do fado pela ornamentação, tinha uma sonoridade límpida, e o que se distinguia de outros guitarristas era a sua interpretação
considerada perfeita do tremolo (repetição rápida e continua da mesma nota). Tinha uma oficina em sua casa onde se dedicou à reparação de instrumentos de corda.
José António Carvalhinho aprendeu a tocar viola enquanto jovem, e acompanhou o seu pai, chegou a tocar em concertos com o seu pai no Canadá. Toca em casas de fado. Acompanha em particular Alexandra (já lá vão c. 17 anos), e hoje no restaurante da fadista
Marquês da Sé que fica perto do Clube de Fado. Do elenco, podemos ouvir cantar (além da Alexandra) o jovem "tradicional" Ricardo Ribeiro. Entre outros projectos, fez arranjos e participou no musical Amália enquanto violista acompanhador e na direcção artística. A referir também que José António Carvalhinho tem uma escola de música:
Instituto Particular de Guitarra e Voz - Escola de Música - (Olivais sul, Lisboa) Tel: 218510055.

3 comentários:

vermelhinha disse...

olá.

quando li a tua mensagem nem queria acreditar e depois vim ao teu blog e fiquei impressionada.

tinhamos perdido o rasto do luís e fiquei contente por saber que ele está mais perto de mim e vou concerteza visitá-lo.

do fundo do coração, obrigada pelo teu blog.

carla.carvalho disse...

Olá,

Sou neta do francisco carvalhinho e fiquei encantada de ver aqui falar sobre a sua arte. Muito obrigada.

Finfas de Paradela disse...

Ola boa noite, fico muito triste de quando falam de todos os musicos da Dona Herminia Silva, e não falam de um homem que foi colega 18 anos de Antonio Pacheco (que era mais conhecido por anda Pacheco).
o homem de quem falo é o viola José Soares, de quem Mario Pacheco conhece muito bem.
Ainda esta vivo muito lucido mas com a idade de 80 anos.
Gostava que entracem en contacto comigo, deixo o meu E-MAIL
erciliolimavieira@gmail.com